01/nov/2017 por

Tempos modernos

foratemer

Camaradas direitistas, é tempo de comemoração. O golpe impeachment completou um ano e meio e já começamos a colher seus frutos. Fomos às ruas aos milhares. Gritamos fora Lula, fora Dilma, Fora PT e pedimos até o fim do Foro de São Paulo, que tinha como objetivo implementar o comunismo no Brasil, para podermos eliminar o câncer que assolava nossa nação. Uma ditadura gayzista, esquerdista, feminista, maoísta, marxista, humanista e tantos outros “istas” possíveis.

Fomos além. Em protesto contra a terrorista Dilma, adesivamos nossos carros com sua imagem espúria de pernas abertas (era apenas a imagem de uma mulher onde a tampa de combustível simulava seu órgão genital). Mas não vemos problemas em uma ação como esta, pois defendemos a família, a moral e os bons costumes.

Hoje lutamos contra exposições culturais que promovem a pedofilia e a zoofilia. Nos choca o fato de uma criança, na companhia da mãe, tocar um homem nu enquanto este executa uma performance artística sem nenhuma conotação sexual no interior de um museu. Por isso agora também combatemos a pedofilia. E em relação àquele tipo de abuso infantil que ocorre nas igrejas e dentro da própria família das vítimas? Este tipo não nos interessa. Também somos contra a ideologia que prega o homossexualismo nas escolas e que transforma as crianças em zumbis comunistas (tempos obscuros). Viva a cura gay! Escola sem partido já!

Esbravejamos, xingamos, gememos e choramos. Não aguentávamos mais tantos escândalos de corrupção vindo à tona pela rede esgoto de televisão e por outras tantas mídias esquerdistas. Mas ao batermos nossas panelas, em que nunca faltaram comida, como num passe de mágica, um gênio encantado atendeu a reivindicação. O gênio da Câmara, Eduardo Cunha, não só deu início aos trâmites do golpe parlamentar impeachment, como se sacrificou por ele (praticamente um mártir).

Porém, isso não era suficiente, pois, como disse o profeta Romero Jucá, na Bíblia do Temer: cap 6; versículo, 66. “Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto”. Morreu por nós! Por isso precisávamos de mais, era necessário botar o Temeroso num grande acordo nacional, com o supremo, com tudo, para estancar a sangria que nos corroía.

E no dia 17 de abril de 2016 cumprimos nossa missão. Tiramos os Petralhas que há quatorze anos nos humilhavam com suas políticas de inclusão social, bolsa disso, bolsa daquilo, cotas disso e cotas daquilo, mensalão aqui e petrolão ali. Onde já se viu permitir que um ex-torneiro mecânico e uma terrorista corrompam uma nação de pessoas tão puras e límpidas como a nossa?

Um ano e meio se passou e vivemos em um Brasil melhor. Com a queda da inflação, não precisamos mais nos preocupar com a corrupção e com a compra de votos via caixa dois. Invenções do PT que nem imaginávamos existir.

Hoje vivemos num país honesto, que não se esconde atrás de construtoras e frigoríficos. Por isso financiamos de bom grado a permanência do Temeroso. Sabemos de todos os seus envolvimentos, já que sua atuação diante do governo federal é límpida. Sabemos quem compra e por quanto compra quando precisa de apoio na Câmara. Temos consciência disso porque sabemos que somos nós que
pagamos.

Também sabemos com quem conversa na calada da noite (não me referindo à Marcela) e com quais juízes se encontrou e que encontrar-se-á antes de importantes votações que podem ou poderão comprometer o seu governo. E, justamente por isso, devido à sua honestidade e pela transparência de sua gestão, fazemos questão de salva-lo de denúncias infundadas de corrupção por provas irrefutáveis.

O importante é saber que finalmente encontramos a Ponte para o Futuro, que nos transporta para um passado remoto e sombrio. O que nos conforta é saber que não precisaremos mais ir às ruas e nem bater panelas, pois já eliminamos o mal que assolava as terras tupiniquins.

Já congelamos os gastos sociais. Pagaremos a dívida externa e venderemos as empresas estatais, pois é o que falta para o país crescer. Acabamos com as fascistas e retrógradas leis trabalhistas. Resolvemos até o histórico problema do trabalho escravo de forma rápida e simples. Agora só falta a previdência, visto que já temos a solução para 2018.

Comemoremos, pois os Tempos Modernos estão cada vez mais próximos!!!

Imagem: Cena do filme Tempos Modernos adaptado

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