26/nov/2017 por

Sim, ele tem a pele preta (graças a Deus)

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Sou branca, heterossexual e apesar de estar sobrepeso,  no máximo fui vítima de bulling na infância, mas nunca discriminada ou pré julgada pela cor da minha pele.

Meu companheiro é negro e do nosso relacionamento nasceu o Pedro Augusto: um menino lindo de 2 anos e 4 meses. Ele é a nossa misturinha!

Logo na gravidez, meu companheiro vinha me prevenindo das inumeráveis situações de racismo que vivenciaríamos.

A primeira delas foi no dia em que ele nasceu,  quando nossos familiares e amigos constatavam: ué, mas esse menino é branco?

Antes de completar um mês,  meu companheiro voltava de uma corrida (de rua) e relatou que, ao retornar para casa, viu uma mulher branca estacionando o carro próximo a uma calçada. Meu companheiro disse que mudou de calçada porque queria evitar algum “constrangimento”, ou seja, racismo. Contudo ele ficou pensativo e conversando me disse : como é que eu preparo / ensino meu filho para isso?

Com um pouco mais de dois meses, estava eu amamentando meu filho no meu peito, quando uma senhora branca (que eu não conhecia) pergunta: por que ele é moreninho?

Já me perguntaram se o Pedro é adotado, pois notoriamente ele tem a cor mais linda e diferente da minha. E quando questiono o porquê da pergunta, me respondem: é que ele é tão moreninho.

Nesse caso, eu ainda passo pela imagem da branca caridosa que adotou o menino negro. E quantas mães negras com filhos sanguíneos que nasceram brancos, precisam provar que o filho é seu ou sempre justificar que não, não são a babá.

O racismo nunca tinha me atingido por razões óbvias, mas, mais do que isso, acho que tive a sorte de nascer num lar que o respeito vinha em primeiro lugar e onde eu e meus irmãos de alguma forma crescemos sem ter medo de alguém pela cor da sua pele.

E, pensando no pouco que já “experimentei/vivenciei” com meu pretinho Pedro, ainda me pergunto em que momento as pessoas começam a olhar para alguém e, tendo esse alguém a cor da pele negra,  questionar seu caráter e sentir medo da sua presença.

Por mais 20 de Novembro para que nós brancos repensemos nossos atos, reconheçamos nossos  preconceitos e valorizemos, respeitemos a todos, sem distinção!

Imagem: Priscila dos Santos

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