19/jul/2018 por

Representatividade

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Uma mulher que não se ama não pode ser livre.

E o sistema trata de fazer com que as mulheres não se amem nunca.

(Beatriz Gimeno)

 

As mulheres não têm representatividade na mídia.

E isso é um problema.

O livro “O Mito da Beleza”, de Naomi Wolf, traz em suas páginas um capítulo que analisa a influência das revistas femininas na evolução das mulheres na sociedade. Sobre ele, Maria destaca o trecho: “´Eu as compro´, disse-me uma mulher ainda jovem, ‘como uma espécie de ultraje a mim mesma. Elas me dão uma estranha sensação, um misto de expectativa e pavor, um tipo de euforia artificial. Sim! Uau! Posso melhorar a partir deste exato instante! Olhem para ela! Olhem só para ela! Mas, logo em seguida, tenho vontade de jogar fora toda a minha roupa e tudo que estiver dentro da geladeira, de dizer ao meu namorado que não me telefone mais e de destruir toda a minha vida. Tenho vergonha de confessar que as leio todos os meses’”.

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O trecho do livro nos leva a refletir sobre o poder que a mídia exerce sobre nossa visão de feminilidade e dos nossos corpos. A maneira nociva que as mulheres são expostas contra elas mesmas no dia-a-dia através de tudo que as representa, sem representar fielmente.

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Dentro desse sistema, a manipulação dos corpos femininos, criando modelos irreais que nunca serão atingidos, é uma questão muito problemática. A manipulação de imagens femininas é umas das formas mais covardes de interferir na relação das mulheres com seus corpos. Até mesmo na indústria de plus size vemos excesso de manipulação e tratamento artificial das fotos, nos vendendo um ideal de imagens plastificadas, corpos com proporções precisas, sem estrias, celulites, rugas ou manchas. Ou seja: corpos que não existem.

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A luta pela real representatividade na mídia é árdua e longa, já que lidamos com um padrão estético misógino, racista, ageísta, gordofóbico e extremamente excludente. Acredito, no entanto, que o primeiro e importante passo nesse processo é pararmos de manipular os corpos das mulheres. Alterar as formas e características de corpos naturais é uma afirmação de que eles não são suficientes. É jogar na cara de milhões de mulheres no mundo inteiro que todas as características que fazem seus corpos serem como são estão erradas, são imperfeitas e devem ser alteradas.

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Quando falamos dos nossos corpos não estamos falando apenas de estética. Estamos falando de um sistema que nos controla, nos diminui e nos ataca através dos nossos corpos. Novamente citando Naomi Wolf, “se a gente resolvesse desistir, chegar em casa um dia e falar que não queremos mais ter voz,  votar, ter orgasmos, ter empregos, igualdade salarial, direitos reprodutivos etc, podem ter certeza que esses padrões estéticos imediatamente se afrouxariam.  Porque padrões mudam com o tempo e com a sociedade, os critérios são fluidos e se moldam naquilo que melhor nos controla em cada período de tempo e espaço. O importante para o sistema não é nosso peso em si, ou a textura do nosso cabelo, o que importa é o quanto aquilo está nos privando da nossa liberdade, da nossa autoestima e da nossa identidade”.

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Falar de representatividade na mídia é falar, simplesmente, sobre o reconhecimento da nossa humanidade.

Imagens: Maria Ribeiro

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