25/maio/2018 por

Patologias psiquiátricas da política contemporânea.

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Epílogo

Não seria possível começar este texto sem pedir licença aos profissionais da psicologia e psiquiatria pela analogia abordada aqui, e não é minha intenção criar ou deturpar fenômenos estudados e comprovados. Não levem a sério, mas não interpretem apenas como uma piada.

TOMO I

O Transtorno Repulsivo Compulsivo (TRC).

As condições psiquiátricas aqui trabalhadas surgem de um mesmo fenômeno psicossocial, a repulsa por qualquer elemento político contrário ao do sujeito que apresenta esta condição e/ou a aversão repleta ao próprio tema.

Os indivíduos que sofrem deste transtorno apresentam comportamentos violentos e degradantes, se portam de maneira selvagem e histérica à presença, menção ou desconfiança da existência de qualquer outro indivíduo que represente seu inimigo e em qualquer espaço, virtual ou material. Porém, a tendência básica das ocorrências histéricas se dá majoritariamente no âmbito virtual. Quando na presença física com o que considera inimigo, os portadores de tal condição tendem a se manter calados, com medo ou fogem daquilo que os desagrada, e situações adversas podem ocorrer se estes tiverem outros portadores em sua companhia, sendo que neste caso a tendência é a selvageria ou comportamento de manada.

Ainda que a base deste comportamento seja a mesma, trabalharemos aqui três possibilidades mais visíveis no cotidiano, lembrando que este transtorno também se assemelha ao Transtorno Repulsivo Religioso que não será abordado neste espaço de discussão.

TOMO II

A “Esquerdopatia”.

A discussão acerca da identidade criada em torno do termo “Esquerdopata” tem uma inversão lógica que surpreende até mesmo o mais niilista analítico político ou psiquiatra veterano; via de regra, o termo é utilizado pelo próprio paciente para demonstrar seu objeto de fixação exclusivo: o indivíduo politizado de esquerda.

O Esquerdopata tem como principal sintoma acusar a todos de ser Esquerdopata. Sendo assim, definiremos a principal diferença entre o acusado e o acusador.

O “Esquerdopata” vítima tem como principais características o direcionamento político voltado para a contemplação de direitos às minorias e interpretação da realidade baseada na luta de classes.

O “Esquerdopata” portador do transtorno tem como principal característica o comportamento lúdico de Dom Quixote. Sendo assim, enxerga em qualquer coisa ou pessoa, principalmente se associado à cor vermelha o objeto estiver, um inimigo a ser combatido.

Aqui definimos “Esquerdopatia” como a fixação pelo combate ao suposto levante comunista que sempre estaria para acontecer no Brasil e que se expressaria das mais diversas formas como, por exemplo, se a mídia transforma algo em produto e/ou vende incessantemente algo que desagrade o nem sempre apurado censo estético do “Esquerdopata”. Assim como se esperaria de qualquer outro ramo do capitalismo,  este acusa o comunismo, Cuba e outros termos que não fazem o menor sentido em qualquer discussão. Não leva em consideração que aquela manifestação cultural se tornou mercadoria pelo funcionamento do próprio sistema, sendo consumido pelas pessoas que compartilham de seu posicionamento, mas ainda não desenvolveram a condição ou se encontram em estágios menos avançados.

O “Esquerdopata” também tem uma fixação pelo passado. Nota-se com certa frequência uma nostalgia por períodos que o mesmo sequer vivenciou e, menos ainda, estudou.

TOMO III

A “Direitopatia”.

Como dito anteriormente, os sintomas destas condições se assemelham em muitos aspectos. Neste caso, se repete o comportamento lúdico de Dom Quixote, o inimigo capitalista está sempre rondando por trás de conspirações que somente o “Direitopata” pode enxergar.

Outra característica é a perda gradativa do senso de humor. Na juventude, ainda resta uma fagulha de humor nestes indivíduos, mas, assim que chegam à fase adulta, o senso do que é divertido e o que é entendiante se deteriora e, via de regra, se tornam pessoas que são extremamente eficazes na construção de piadas que não têm a mínima graça, comportamento facilmente observável pela reação dos que presenciam estas tentativas de humor.

O “Direitopata” também realiza uma inversão na análise da realidade. Enquanto o “Esquerdopata” acusa a vítima de ser “Esquerdopata”, o “Direitopata” acusa as minorias que defende e as classes menos abastadas pelas suas derrotas políticas. Para deixar mais entendível, o “Direitopata” se vê como guardião-defensor dos pobres e das minorias políticas, mas, quando não consegue realizar seus intentos, acusa estes de serem alienados, acomodados políticos, entre outros termos que fazem parte do vocabulário próprio da condição quando usados neste contexto.

Se em algum contato com pessoas portadoras desta condição você perceber que a mesma acusa seus defendidos de serem exatamente o que eles são, corra o mais rápido possível caso isso comece a fazer sentido na sua cabeça.

Outra solução possível para sua defesa é repetir a seguinte frase até que o discurso do “Direitopata” não faça mais sentido:

“Não posso acusar aquele que defendo de possuir falhas causadas por aqueles que acuso, pois isto não faz sentido e retira de mim a parcela de culpa da não organização dos mais fracos politicamente”.

Caso a sensação de que o discurso “Direitopata” faz sentido não passe, procure urgentemente um profissional da saúde mental.

TOMO IV

O Políticopata.

A pessoa que apresenta esta condição tem alguns pré-requisitos para tal. Caso contrário é apenas falta de acesso à educação de qualidade e/ou tempo para pensar em coisas que não a própria sobrevivência, neste caso, sem recursos materiais abundantes ou suficientes.

Os indivíduos que vivem em qualquer outra condição social que não as citadas anteriormente e apresenta o comportamento repulsivo compulsivo a discussões políticas é um “Políticopata”, ainda que o termo mais popular para tal condição seja “Idiota”.

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