O Rock n’ Roll envelheceu?

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O ritmo musical que mudou os padrões sociais, políticos, sexuais e comportamentais parece ter perdido sua potência revolucionária e transformadora, ter virado um clube para pessoas de meia idade e com certa arrogância em relação a outros tipos de gêneros musicais como funk e rap.

Quando surgiu, no início da década de 1950, o Rock modificou a juventude nascida no “baby boom”, ocorrido depois da Segunda Guerra Mundial. Sua mensagem de liberdade, alegria e contestação foi imediatamente abraçada pelos jovens e levou os mais velhos ao desespero de não saber lidar com um mundo em mudança tão rápida. Artistas como Little Richards, Elvis Presley e Chuck Berry (recém-falecido aos 90 anos de idade) se tornaram ícones daquela época.

A década de 1960 tornou o Rock no dínamo de toda agitação cultural e política, os Beatles e os Rolling Stones catalisaram artisticamente os anseios daquela juventude, alargaram muito as fronteiras da música e criaram uma estética pop ainda hoje muito marcante.

O Festival de Woodstock, realizado em uma fazenda no Estado de Nova York, e que contou com apresentações de artistas fenomenais como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Santana e The Who, simbolizou a mensagem de “Paz e Amor” daquela geração, influenciando até mesmo o fim de um conflito armado, a Guerra do Vietnã.

A juventude marginalizada e decepcionada com o sonho hippie criou dois movimentos de ruptura: o punk rock e o heavy metal, cujos maiores ícones são os Ramones, Sex Pistols, The Clash, Black Sabbath e Motorhead. A década de 1980 foi marcada por um tipo de som mais comercial e menos político, mesmo assim contando com bandas essenciais como The Smiths, U2 e The Cure. Já os anos 1990 veio com o movimento Grunge que catapultou nomes importantes como Pearl Jam e Alice in Chains, além do último grupo realmente transgressor da história do Rock: o Nirvana. A morte de Kurt Cobain parece ter levado consigo o último suspiro criativo do ritmo musical das guitarras elétricas.

No último fim de semana do mês de março aconteceu o Festival Lollapalloza, em São Paulo. Com exceção dos shows dos ‘dinossauros’ do Metallica, Duran Duran e Rancid, o resto pareceu “mais do mesmo”, como dizia Renato Russo. Grupos insossos, com um som pasteurizado, pretencioso e metido a moderno.

A impressão que dá é que o Rock virou o jazz: nossos ídolos envelheceram ou estão mortos e os artistas novos não têm consistência. Os mais jovens raramente escutam Rock n’ Roll, para eles é “música de velho” e isso não me causa espanto.

Tudo tem seu início, meio e fim, mesmo as coisas mais gloriosas.

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