08/ago/2016 por

No cheque especial

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A partir de hoje, 8 de agosto, a gente passa a dever na praça e começa a operar no vermelho, não entendeu nada? Eu explico.

A partir desta data, a população do planeta esgotou toda a cota de recursos naturais que o nosso planeta oferecia para 2016, ou seja, a partir de agora, tudo o que for consumido por nós não será reposto pela natureza. Esse dia é conhecido como o “Dia da Sobrecarga”.

Em aproximadamente 8 meses entramos em déficit ecológico, já que reduzimos as nossas reservas naturais (biodiversidade, florestas, alimentos, recursos pesqueiros, produtividade do solo, entre inúmeros outros) e aumentamos ainda mais a quantidade de CO² na atmosfera (que já não é pouco).

A Global Footprint Network (Rede Global de Pegada Ecológica), uma organização internacional pela sustentabilidade, calcula o número de dias do ano que a biocapacidade da Terra é suficiente para prover recursos para a Pegada Ecológica da humanidade. O restante do ano corresponde ao excedente global. O Dia da Sobrecarga é calculado dividindo-se a biocapacidade mundial (a quantidade de recursos ecológicos que Terra é capaz de gerar esse ano, bem como alimentos, matéria prima, absorção de gás carbônico e etc.) pela Pegada Ecológica mundial (a demanda da humanidade para esse ano) e multiplicando por 365.

Sem título

O Dia da Sobrecarga é calculado anualmente desde o ano 2000 e, a cada ano, infelizmente, este dia chega mais cedo.

Como exemplo, podemos pensar o nosso Planeta como um banco. Porém, no lugar do dinheiro em nossa conta temos os recursos naturais. Se nós gastamos mais do que ganhamos, a conta no banco vai chegando próximo ao zero e, depois disso, entramos no famoso e temido cheque especial, ou seja, entramos no vermelho.

Com uma demanda crescente ao longo da maior parte da história, a humanidade tem usado os recursos da natureza para construir cidades e infraestrutura necessária para prove-las, seja na produção de energia, alimentos e fetiches desnecessários de uma sociedade consumista e doente.

Em meados da década de 70, o “orçamento” de nosso capital natural estourou. Nós zeramos a nossa conta no banco. Assim, o consumo humano começou a ultrapassar o que o Planeta podia renovar a partir de uma determinada data.How-many-countries-v3-900

Conforme os cálculos da Global Footprint Network, nossa demanda por recursos ecológicos renováveis e serviços que eles provêm é o equivalente hoje a 1,6 planetas. Os números mostram que estamos no caminho de necessitar de dois planetas bem antes do ano 2050. Sim, eu estarei velho, você estará velh@, nossos avós não estarão mais aqui e, quiçá, nossos pais. Mas será que somos tão egoístas assim de não nos preocuparmos com as gerações futuras?!

Hoje, 85% da população mundial vive em países que demandam mais do meio ambiente do que os seus ecossistemas podem renovar.

O fato é que, a cada dia que passa, estamos nos afundando mais em nosso cheque especial, isto é, estamos “gastando” o nosso capital natural mais rápido do que ele pode se renovar. Se continuarmos assim, um dia os juros serão cobrados e, infelizmente, não conseguiremos pagá-lo. Na natureza não existe crédito e muito menos aquele: – “Meu chapa, pendura aí que mais tarde eu passo pra pagar!”

Imagem: Pedro Carpigiani