17/ago/2016 por

Não sou metade de você…

Oxum

Deu meia-noite, já não é mais sexta, é um dia novo, várias coisas novas vem com esse dia e é bom que nos acostumemos com isso.

As dores do ventre lhe contorcem, a respiração lhe falta, lhe sobra, lhe falta novamente e é neste ciclo de vai e vem que começo a perceber o quanto me falta e o quanto lhe sobra.

Acompanho esta dança de vocês querendo poder fazer mais, sentir mais, em meu interior percebo a grandiosidade deste ato e em nenhum momento romantizo ou racionalizo em excesso, até porque não sei de fato qual é a melhor atitude a se tomar.

Uma hora da manhã, você está embaixo do chuveiro e continua o vai e vem das dores, dos risos, do choro, se esticar, se contorcer, xingar, declarar amor e eu aqui ao seu lado tentando dar o melhor de mim enquanto sou um simples passageiro dessa viagem sem volta mas não se iluda, o piloto também não é você, a ti cabe ser a nave e a mim ser testemunha.

Conto as contrações, fico próximo sem lhe sufocar, se quiser conversar eu converso, se quiser que eu fique quieto eu fico.

– Fica quietinho…

Nem respondo.

Vão-se as horas, é hora da partida e é hora da chegada.

Chegamos ao momento tão sonhado em nossas vidas, foram muito mais que nove meses trabalhando neste sentido e quando chega o momento o trabalho é inteiramente seu, continuo testemunha, continuo passageiro, continuo ao seu lado mas já não sou o mesmo de horas atrás e nunca mais serei.

Água, sangue, choro, gritos, respira, respira, respira…

Carinhos, lhe seco a testa, respira, respira, respira…

Você resiste, desiste, volta a resistir, respira, respira, respira…

Surge o grande amor da minha vida que vem de dentro do outro grande amor da minha vida, vejo tudo isso acontecendo, a dor, a luta, a força, o amor, a dedicação e a vitória, observo e chego à conclusão:

Você é mulher plena e eu não sou metade de você.

Ora yê yê ô!

Imagem: Oxum – orixá das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza.