12/out/2018 por

NÃO Quero ser Jair Bolsonaro!

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Antes de começar, este texto usou como base o filme “Quero ser John Malkovich” de Charlie Kaufman e Spike Jonze, onde retrata a vida de um titereiro (manipulador de marionetes) que trabalha como arquivista no andar 7 ½ de um edifício de escritórios. O protagonista encontra uma passagem secreta atrás de uma armário que transporta a pessoa para dentro da mente de John Malkovich e depois de 15 minutos a pessoa é “cuspida” a beira de uma estrada…um tanto quanto doido o filme, mas muito bom.

Entretanto, diferentemente do filme, quem se transportou para a mente das pessoas foi Jair Bolsonaro.

Uma pequena porta se abriu e ele entrou na cabeça de milhões de brasileiros. Se tornaram hospedeiros de um discurso sem nexo e sem precedentes, descolados da realidade do mundo da pós verdade que desafia o intelecto e a racionalidade humana.

Ele parece ter se tornado um titereiro da mente de milhões de brasileiros brincando com a pluralidade e multiculturalismo de nosso país, externalizando frases e ações racistas, misóginas e homofóbicas, parecendo não perceber a gravidade disso, mas se sabe, ele se torna mais perigoso do que aparenta.

As poucas políticas públicas colocadas por ele e pela equipe quando abordadas fora de jargões e palavras jogadas ao vento são esdrúxulas. Uma agenda economicamente liberal que não cabe na sociedade brasileira.

Fruto de nossa própria transgressão, o futuro, mais do que breve, nos faz escrever a sinopse de um filme duma realidade quase ficcional.

quase igual a um Fla x Flu, Corinthians e Palmeiras, vemos duas torcidas gritando “Brasil” frente a um desfiladeiro com um caminho sinuoso e perigoso da qual a já frágil democracia brasileira rola barranco a baixo sem muitas possibilidades de ser salva.

As paginas tristes de nossa história, as quais foram escritas na base da tortura, sangue e “desaparecimentos” ainda nem cicatrizaram e já demos conta de rascunhar outra. E no papel de protagonista está alguém que defende isso a fundo. Achávamos estar vacinados deste mal. Entretanto, parece que foi uma doença mal tratada, só potencializamos os seus futuros sintomas. A indiferença se tornou intolerância, que por sua vez se agravou para um quadro insustentável de fascismo e disputas.

Fruto dos próprios erros de uma esquerda que se perdeu na sua curta história de poder e governo e se esqueceu da mesma esquerda de dias longos de batalhas por direitos e igualdade.

Que para amanhã não nos esqueçamos de nossos planos, perdidos pelos enganos da nossa ignorância e erros, chorados nestes poucos anos de democracia, que já se esgueirou pelos becos sujos de um passado recente e mais do que presente.

Não se deixem levar pela enxurrada de Fake News disseminadas pelos fiéis seguidores de Bolsonaro. Não se tornem hospedeiros de seu discurso e ideias. Não deixe que mentiras velhas em novas formas prevaleçam.

NÃO quero ser Jair Bolsonaro! #EleNão