20/jun/2018 por

Minha breve história canina

DOG 2

Desde sempre “A morte do vaqueiro” é a minha música preferida de Luiz Gonzaga. Entretanto passei bastante tempo para perceber que o tema central da estória, a solidão, tinha na fidelidade canina seu contraponto. Só depois de muitos anos atentei para o sofrimento e o estigma; quando senti a perda, compreendi o vaqueiro “só lembrado do cachorro, que ainda chora a sua dor”.

Tudo entendi no dia da morte da nossa cachorrinha, nossa alegre e fiel companheira. Desde então, pude incluir na minha empatia solidária as pessoas que sofrem e lamentam o desaparecimento desses maravilhosos seres de coração puro e imaculado.

‘Cacilda’ era o nome daquela nossa primeira distinta, que nunca será esquecida. Tanto falta nos faz quanto sentimos sua ausência. Agora a exuberância de ‘Miny’ (Jumentinha, Menem ou Jumem) dá contentamento com a graça de sua presença. E a vida segue adiante.
……………………………..
Eis um poema que escrevi no dia que enterrei nossa primeira cachorrinha, ‘Cacilda’; para mim o nome dela era ‘Cacilda’ — que as outras pessoas daqui de casa cismavam de chamar de ‘Nina’: não brigamos por isso.

“Havia o luar cheio e claro,
e nós juntos e separados

tu sob o solo, eu sobre a terra

teu calor ainda em mim
meus braços pendentes
do percurso feito contigo

à frente, não mais te vejo
retorno solitário e triste

à volta, jasmins desmaiados
marcam tua presença olfativa,

exalam suspiros em tua memória

recolho as flores de olor esmaecidas,
penso em sementes, em raízes de vida

Foste tão breve! Marcaste tão fundo!
aqui ficamos, sofremos, recordamos”

Acompanhe as publicações e curta a página d’O Novelo no Facebook aqui