15/out/2017 por

Livrai-nos da culpa: a oração do professor.

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As pessoas que não deram uma passeada em outros lugares do globo ou regiões da galáxia nos últimos meses devem ter se deparado com as inúmeras polêmicas acerca de atividades educacionais e culturais em nosso país. Vale lembrar que hoje em dia o Brasil está muito parecido com o “mundo invertido” da série Stranger Things. Vamos aos motivos: temos movimento de “vanguarda que pede retrocesso”, estado laico com cultos religiosos em câmaras de vereadores, ator pornô-gay-hétero defensor da moralidade nas manifestações artísticas, “advogada renomada e habilitada” que fica em último lugar em concurso público dos mais ferrenhos e por aí vai.

Entre outras aberrações, está o fato de que um ET, isso mesmo, um ET que supostamente concedeu entrevista e nos mandou buscar conhecimento era o único ser o qual deveríamos ter prestado atenção.

Upside Down.

No meio de tudo isso, a cada vez em que um debate ou figura do mesmo nível que as citadas anteriormente se posicionam publicamente, lá vamos nós malhar o Judas da hipocrisia, um absurdo, como pode um país assim, assado e cozido?

Aí é que mora o perigo. Sopramos a brasa ao tentar apagar a fogueira e queimamos ainda mais aqueles que tentávamos resgatar.

Adivinha de quem é a culpa?

A culpa é da educação falha e da falta de cultura de nosso povo, claro.

Novamente, todos os olhos se voltam à escola e à tentativa de terceiros de ditar o que deve ou não existir e acontecer por lá; cada vez que “culpamos” a falta de educação, colocamos o professor no centro da roda e o chamamos de Judas, “taca-lhe pau, Marco véio” é a ordem.

Está óbvio que a educação não alcança seus objetivos. Está mais que explícito que há um déficit educacional em nosso país e que cumprimos metas apenas no quesito numérico e passamos longe do quesito qualitativo. Sabe qual é o grande problema?

A culpa.

Quando culpamos a educação, raras são as vezes em que se torna bem dito o aspecto que se critica. Muitas vezes acabamos por tomar as mesmas atitudes daqueles que condenamos, ou seja, se há uma suposta imoralidade que toma conta e assola nosso país, na cabeça de alguns, estes colocam a culpa nos professores, artistas, políticos de viés diferente, entre outros que podem culpar sem pagar o preço da difamação ou responsabilidade de provar, e, quando acusados, os professores, artistas, políticos e afins colocam a culpa no outro lado.

Neste jogo de empurra-empurra, quem nunca deixa de ser culpada? Se disse a educação, acertou.

E lá vem o lombo do professor receber mais uma chibatada, culpado, culpado, CULPADO!

A educação é o Leviatã tupiniquim do século XXI, esse grande monstro que atrapalha o plano de todos os lados desta grande disputa de poder político-midiático que nossa nação vive, mal sabem os acusadores que a educação não é feita na escola.

A EDUCAÇÃO NÃO É FEITA NA ESCOLA. O PROFESSOR NÃO É RESPONSÁVEL PELA EDUCAÇÃO.

Somos um dos componentes deste processo, temos responsabilidades específicas que devem entrar em sintonia com direção, equipe pedagógica, Estado e família. Ninguém em específico é responsável sozinho pela educação, o meio social compartilha a responsabilidade.

Citando um caro colega de profissão, o Professor Aécio Reis:
“O professor é um alvo que recebe os tiros implacáveis de uma sociedade que a todo momento fecha os olhos para o óbvio.”

Enquanto o jogo se baseia em colocar a culpa em alguma categoria, a única coisa que nos resta é orar:

Livrai-nos da culpa, amém.

PS: O nome do jogo é: A culpa é minha e eu boto em quem eu quiser.

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