O Novelo - Guerra do Peloponeso
06/fev/2018 por

Guerra do Peloponeso

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Em 432 a.C., Atenas e Esparta, as duas forças supremas da Grécia, tinham costurado a “Paz dos 30 anos”, baseada em diversas alianças com cidades-estado menores. Nenhuma delas queria a guerra, e era legendária a amizade entre Péricles, de Atenas, e Arquidamo, o único Rei de Esparta na época.

Era, além disso, uma época de prosperidade para todos. Não fazia … anos que o mundo grego havia se unido para derrotar a Pérsia, suas escolas filosóficas se espalhavam por todas as regiões, o comércio fluía por terra e mar, seus teatros inventavam a comédia e o drama, e o ideal da democracia helênica brilhava como uma tocha na escuridão de uma época de déspotas divinos. A Grécia era a coroa esplêndida de todo o mundo conhecido.

Ainda assim, os acontecimentos que levaram à guerra se deram em regiões remotas, distantes dos centros da civilização grega, e foram, como poderia dizer um espartano ou ateniense, “uma briga em um país distante, entre povos sobre os quais nada sabemos”.

Córcira, aliada de Atenas, exigia que Corinto, aliada de Esparta, entregasse território para ela. Ou que pagasse algum tributo. Quem se importa? Eram questões triviais disputadas por desconhecidos que viviam no fim do mundo.

No entanto, para não passar a impressão de que não se importavam com seus aliados, tanto Atenas quanto Esparta disseram que resolveriam a questão. Com pequenas demonstrações de poder, tomadas cuidadosamente para não provocar uma resposta precipitada do rival, Atenas e Esparta marchavam exércitos nas fronteiras uma da outra, mandavam enviados com exigências ríspidas e faziam ultimatos decisivos. Ninguém queria a guerra, mas ninguém queria recuar.

E mês após mês as provocações aumentavam, os ânimos se acirravam, um povo passava a desgostar um pouco mais do outro, e a amizade entre Péricles e Arquidamo caminhava para um ressentimento amargo. Até que aconteceu o impensável: Esparta invadiu território ateniense e declarou a guerra.

Ninguém podia imaginar que uma disputa que começou naquela região remota, entre Córcira e Corinto, nos limites do mundo helênico, resultaria na devastadora Guerra do Peloponeso. Mas à contra-gosto de todos, em uma época de paz e estabilidade, a guerra veio, durou 27 longos anos, envolveu todas as cidades-estado da Grécia, arrasou com a economia de 30 anos de paz, e acabou para sempre com o período dourado dos antigos gregos.

Há uma lição a ser tomada dessa história, mas ela não é importante. Vivemos numa época de prosperidade sem precedentes, somos uma civilização global unida pelo racionalismo, ninguém deseja a guerra, e aqueles atritos de que ouvimos falar são em lugares isolados entre povos desconhecidos.

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