29/ago/2018 por

#existepesquisanobr ….por enquanto!

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O corte de verba para ciência e pesquisa no Brasil não tem sido novidade nos últimos tempos.

A última desastrosa notícia que tivemos aponta para o corte de verba da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), uma das principais fomentadoras de pesquisas no Brasil. Essa drástica queda no orçamento decorrerá no fim de 200 mil bolsas de pesquisa científica, ameaçando a ciência e construção do conhecimento no país.

Essas bolsas são destinadas aos pesquisadores para que possam se dedicar exclusivamente à pesquisa. E acredite, as bolsas não são nenhuma fortuna: 1500 reais para alunos de mestrado e 2200 para doutorandos. Valores mensais. Sem décimo terceiro, muito menos férias.

Isso para: morar, comer, se transportar, viver. O que inclui desde aluguel, água, luz, internet a comida e gastos com saúde.

Além de viver, o bolsista tem que custear a própria pesquisa: gasto com livros, xerox, impressão e encadernação de trabalhos, viagens para pesquisa de campo, instrumentos para a pesquisa (gravador, por exemplo!), e por aí vai.

E também tem que participar de eventos, apresentando resultados da pesquisa. Isso é exigência para o bolsista. Sem isso, os programas de pós-graduação perdem ainda mais verba. Sem isso, o bolsista é prejudicado em processos seletivos futuros, que exigem publicações e participação em eventos.  Sem isso, além do currículo, a formação do pesquisador é prejudicada.

… tudo isso com os 1500 de mestrado e/ou 2200 de doutorado!

Missão quase impossível para quem não conta com uma boa rede de apoio.

O que nos mostra que fazer pesquisa, no Brasil, é para poucos. E a ciência tende a ficar ainda mais elitizada com o corte das bolsas.

O perfil dos pesquisadores, que já não tem a cara do povo brasileiro, tende a se restringir ainda mais nos filhos da elite brasileira, que podem se dedicar à pesquisa sem necessidade de bolsa.

E eu me pergunto: o que interessa aos filhos da elite brasileira pesquisar?

A ciência brasileira nem de longe representa os interesses da maioria. Porém as bolsas, juntamente com outras políticas (cotas e assistência estudantil, por exemplo), buscam uma aproximação (lenta e pequena, mas uma aproximação) cujo corte de verbas vai inviabilizar.

As pesquisas realizadas dentro das universidades pelos bolsistas permitem avanços na tecnologia, nas políticas públicas, na democracia, por exemplo. No Brasil se pesquisa sobre muita coisa importante: qualidade de alimentos, procedimentos e cuidados na saúde, engenharia, arquitetura, química, física, educação, cultura, comunicação, arte, políticas públicas…  A hashtag #existepesquisanobr nos trouxe vários exemplos.

Na contramão da luta travada para avançar nas pesquisas e ampliar o acesso das/os estudantes da classe trabalhadora à academia, os cortes de verba vão regredir ainda mais no que já foi conquistado.

E o retrocesso não pode ser uma opção. 

Imagem: Patricia de Aquino

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