15/set/2017 por

Enfrentar o fascismo é lutar em campo de honra: os ousados e corajosos dignificam a Democracia

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Enfrentar o fascismo é lutar em campo de honra: os ousados e corajosos dignificam a Democracia

Há pelo menos uma serventia associada a esse atual descalabro, esse estado de decadência que deixa expostas algumas das chagas do Brasil: — o mito da cordialidade e fraterna serenidade dos brasileiros ruiu de vez.

Vivemos uma batalha de resistência, uma guerra de guerrilha para enfrentar essa multidão estupidificada como zumbis a formar legiões de mortos-vivos repetindo a mesma história, numa trágica farsa de horrores. Cabe a nós em qualquer tempo responder e enfrentar fascistas e fascismos, ou só restará a terra arrasada onde não se mantém pedra sobre pedra e nada floresce.

O mesmo terreno onde medram as ingenuidades é também o mais fértil e propício para os extremistas e sectários ali semearem a cizânia e fazer (de propósito) que se tornem indistintas aos olhos dos incautos quaisquer diferenças entre “o joio e o trigo” que brotam juntos: eis o eficaz método de preparo para a ceifa numa seara onde colhem aqueles que confundem.

A marcha da História (para quem ainda não sabia) não corresponde a uma corrida de obstáculos que vai ao encontro do ‘progresso’. Este idílio fantasioso é compartilhado por um enorme séquito de cândidos e ingênuos impermeáveis a toda evidência em contrário; nada obsta que essa fé cega vá sempre estar mais além do que a desagradável realidade pode garantir. Saber que a História se compõe de idas e vindas, é se afastar de crenças tão edificantes quanto simplórias. A época de agora parece mais com uma ‘involução’, um progresso às avessas, uma singular regressão aos tempos anteriores a Adão e Eva (onde mais se torna patente que toda a tolerância adquirida ao longo do convívio civilizacional pode se esvair). Nada autoriza, incentiva ou permite ilusões “em busca do tempo perdido”. São veleidades pueris que infestam e alastram os erros de percepção e de entendimento.

Ninguém deve se permitir, ou aceitar, o acomodado papel de acuado sem esboçar reação – esclareço que nesse instante estou a falar aos decentes. Cabe ainda a audácia da coragem. Importa enfrentar a maré de absurdos que se avolumam, contrariar o fluxo da covardia e ir a montante desse rio.

A derrota é uma possibilidade permanente aos poucos dispostos à luta. Entretanto esta é a paga e o preço que reveste a glória de contendores que podem cair em campo, porém cobertos de honradez. E desses, se poderá dizer em tributo à sua glória de vencidos – após o enfrentamento:

“Se inda é pequeno o sacrifício,
Morra eu também!
Caia eu também, sem esperança,
Porém tranquilo,
Inda, ao cair, vibrando a lança”
(Olavo Bilac – in “Profissão de fé”)

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