19/jun/2017 por

É diversa e vária a pandemia que nos consome

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Uma infestação se espraia sorrateira pelas fímbrias do tecido social ao estender sua peçonha desmobilizando a ideia de comunidade, de grupo, de pertencimento – cada um se torna agente executor da mesma solidão.

Vive-se sob uma anormalidade inquisitorial, onde muitos se comportam abaixo da linha da barbárie, onde tudo se faz para interditar o diálogo.

A estúpida devastação moral ganha foros de guerra e periga o descalabro anterior ao menor, ao mais ínfimo, regramento que leve a considerações sobre o direito dos oprimidos e massacrados, é praça de guerra sem honra.

É a expansão de um portento –o da imbecilidade– que pode aluir, afastar completamente o senso de ridículo (o filtro que refreia a auto-exposição espontânea) que ainda inibe a derrocada frente à face tenebrosa do mal generalizado, aquele que, caso vitorioso, não deixaria pedra sobre pedra.

Essa desconstrução, devastando da barbárie à ruína, sem passar pelo estágio civilizatório, é o que se pode esperar dessa escalada decadente que leva a nada fazer, a nada tentar, e ficar contemplando a volta do caos.

Diferente do Caos formador inicial tocado pela transcendência, esse que aponta no horizonte é sombrio e incógnito. O niilismo em estado bruto faz o devir mergulhar no ontem da noite dos tempos. Para quê? Por quê?

Não se desiste de uma herança cultural auferida, e aperfeiçoada ao longo de gerações, impunemente. A um só tempo somos resultado do passado, modelo subsequente aos que virão e aos que já nos acompanham agora.

Este legado, que recebemos em revezamento, no devido tempo e de forma semelhante, será oportunamente: usufruído, aproveitado, sofrido, avaliado, repudiado, agradecido, comemorado ou lamentado pelos que nos sucedem.

Horror e nobreza, honra e demérito, tudo está ao alcance das escolhas de cada um; não se deve ficar a reboque de instáveis caprichos climáticos e tomar o rumo oferecido por essas intempéries. Caminhar exige coragem.

Imagem: Goya – Saturno

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