Crise para que te quero?

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Sentado à janela, já se foram duas xícaras de café. Que por sinal, não foram suficientes para me acordar. Ainda mais sabendo que a reforma trabalhista foi aprovada do jeito que foi pelo Senado brasileiro. Dizem que Voltaire era fascinado por café, chegando a tomar de 20 a 40 xícaras diariamente. Talvez eu precise de mais café para escrever melhor.

Como de costume, abro o Twitter pela manhã. Confesso que não consigo mais começar o dia acessando pela grande imprensa. Gosto de me informar, mas a parcialidade destes grupos midiáticos atualmente é tão visível, que somente escolhendo as fontes consigo engolir o noticiário matinal. Este noticiário, já faz tempo, anda bem amargo. Para mim, o jornalismo não deveria ser parcial, ok praticamente impossível esperar isso. Todavia, não dá para tomar partido do título da matéria ao ponto final.

É preciso acordar, gente! É preciso se animar. Repita este mantra comigo! Vamos acordar!

O descrédito e a negatividade estão nos dragando. Ou só está me afetando?  Mais um gole de café.  E ao fundo, a sinfonia paulista me traz certa nostalgia: vambora! vambora! olha a hora vambora….

Enquanto isso no Brasil, parece que a cada dia, a noite fica mais longa. O pesadelo não termina, Walking Deads perambulando por Brasília há décadas. Esse gigante pela própria natureza ganha contornos de seriado da Netflix. Disputávamos o melhor roteiro com House of Cards, e hoje, convenhamos, já somos blockbuster disparado. Não assisti a quinta temporada, sem spoilers, por favor. Mas cá para nós, basta ligar a Tv Câmara que certamente teremos fortes emoções. Puxa! Já tinha me esquecido que a Lava Jato virou filme.  Mais recentemente, nossos episódios estão mais para Stranger Things. Ok, admito. Não tão estranhos assim.

A palavra da vez, que também foi a do verão passado, é, tcharan! CRISE. A palavra preferida dos abutres nacionais. Leonardo Boff com certa frequência analisa nosso contemporâneo nacional. Recomendo o último texto dele – Da recessão econômica à depressão psicológica (link).

Nesse cenário, precisamos buscar novas fontes de informação. Não podemos aceitar toda informação da maneira que nos é apresentada. Tal qual os jornalistas, precisamos apurar os fatos.

O mais prudente é dizer o óbvio. Minha intenção aqui é dialogar. Desse novelo, quero puxar os fios, contudo não pretendo tecer nada definitivo.

Voltemos ao termo preferido do léxico econômico – Crise. O que é? O que come? Onde vive? Do Michaelis online tomei a terceira acepção: Momento em que se deve decidir se um assunto ou o seguimento de uma ação deve ser levado adiante, alterado ou interrompido; momento crítico ou decisivo. A pergunta que me vem logo em seguida é: e crítica, o que significa? Optei também pela terceira definição: análise detalhada de qualquer fato.

Então, meu caro leitor, mataste a charada. Qual seja, precisamos em momentos de crise de análise e reflexão. São em situações extremas que nossa bile é extraída. Nossa capacidade criativa é testada, pois é quando precisamos buscar novos caminhos e alternativas. Que país queremos? Que sociedade queremos? Esse é o momento mais que crucial de se manifestar. Precisamos repensar o Brasil. Seja de direita, seja de esquerda, centro-esquerda, petralha, coxinha, não importa! As reformas são importantes, mas antes de se reformar é prudente que verifiquemos as bases: será que as colunas estão seguras? Urge verificar como vai a fundação da casa, senão corremos inúmeros riscos. Seria prudente votar reformas com esse congresso? Porque não fazem a reforma política primeiro? A tributária? Por que não participamos mais desse processo?

As recentes transformações sociais oportunizaram chances aos menos favorecidos, lulistas ou não, e, graças a essas transformações recentes, conseguimos sair do mapa da fome. O pobre passou a ser gente. Bolsa família é case internacional.

O que está em jogo não é a solução da crise atual. No capitalismo, crises são recorrentes. Encaro essa recessão econômica e sua tentativa de solução como um retrocesso social, visto que é nas camadas mais fracas que o arroxo fiscal é predominante. Quem paga o pato sempre é quem o alimenta e não quem o come. A operação Lava Jato trouxe à tona procedimentos que por muitos anos eram apenas suposições. A corrupção é de todos em todos os setores. Porque só um lado é alvejado? Uma organização criminosa quer estancar a sangria com o supremo e com tudo! Você amigo leitor capaz de observar o seu entorno, por favor verifique o que mudou recentemente e o que está prestes a acontecer em nosso país. Verifique o tom da imprensa, verifique quem fala no jornal das 8. Faça conexões.

Realmente, você acredita que uma reforma trabalhista feita às custas de volumes vultuosos de dinheiro estaria a favor de você? Ou de quem financiou o deputado? Uma reforma da previdência feita com dinheiro de seguradoras seria interessante para você enquanto aposentado?

Mas a mensagem que nos passaram via grandes conglomerados não parece cobrir todos os fatos. Vendeu-se uma crise, um tsunami, que só seria reduzido se a Dilma saísse. Ora, já faz tempo e a crise continua. Também, precisamos nos precaver e não cair no outro extremo colocando em Lula todas as esperanças. Precisamos analisar os fatos com cautela.

Daí a importância de ser crítico. Por que ser crítico vai além de tomar partido. Vai ao encontro da busca da verdade, verdade que nunca é absoluta. Essa busca deveria ser debatida e dialogada, várias verdades estão em disputa desde sempre. Grupos contrários sempre irão trazer a sua realidade como única. Daí o contraditório é essencial. A história normalmente é contada pelos vencedores. Precisamos fazer a história.

Como seres humanos e animais políticos convivendo em comunidades, deveríamos encarar as crises como oportunidades. Crises são momentos de reflexão e de dor. O país está sofrendo há mais de um ano e muitos estão se aproveitando de recursos públicos, financeiros ou não; para interesses privados. Se olharmos pelo lado positivo, nunca na história desse país se prendeu empresários e expoentes da política nacional. Muito embora o STF nos decepcione aqui e acolá, o cenário ainda é de esperança.

Ser crítico é também ser livre. Entendo a criticidade como um exercício de cidadania. É uma tarefa que faz bem a urbes. Ao pronunciar e defender tanto ideias quanto ideais estamos contribuindo como o crescimento de todos. Ser crítico não é somente ser chato e discordar de tudo, é antes de tudo ponderar. Falta diálogo dialógico. O discurso de ódio e de medo não deveria nos cegar. Encerro com a já repetida ideia, mas que parece andar em baixa: “Eu não devo concordar contigo sempre, mas lutarei sempre pelo direito de discordar de mim”. Vambora! Vambora! Tá na hora! Vambora!

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