14/mar/2017 por

Coração nas mãos, e mãos ocupadas: um manifesto pelo uso das técnicas manuais para criar arte com linha e agulha, desatar a criatividade e se expressar*

melancia

Bordar, costurar, tricotar, pintar, crochetar. Até pouco tempo atrás, essas atividades faziam parte da cartilha da mulher prendada – nem sempre emancipada. Como mulher do meu tempo, reneguei as manualidades em função da tecnologia e da “vida corrida”. Mas, ao olhar todos os dias para telas e mais telas, vi que estava longe de mim mesma, dando likes passivamente.

Alguns desses likes foram capazes de aproximar outras mulheres, render conversas e despertar o interesse pelo bordado. A partir do Instagram, a ideia se materializou em encontros a cada semana e, desde 2013, somos seis amigas reunidas em um coletivo que usa o bordado para levantar discussões, compartilhar conhecimento e vasculhar criatividade.

Desde esse começo despretensioso, damos apoio umas às outras para mudanças de todos os tipos: deixar de lado a insegurança ao desenhar, propor ideias para se livrar de um emprego maçante, compartilhar dúvidas existenciais, fofocar. Começamos a falar sobre sexo, questionamos tipos de corpos e tabus femininos. O bordado marcou o início de novas amizades e a expressão de nossa criatividade. Então por que não incentivar mais mulheres, mais coletivos, questões ainda mais plurais?

Loveyourself02

Relaxa e borda

Em uma pesquisa feita em nossas redes sociais, mais da metade das mulheres afirmaram que já superaram picos de ansiedade ou depressão com a ajuda dos trabalhos feitos à mão. Uma delas conta que sofreu de uma síndrome e ficou meses sem os movimentos das pernas, passando o tempo apenas sentada ou deitada. Ela aprendeu a bordar e conseguiu, com isso, relaxar e dar um nó no tempo.

Além da função terapêutica e da ocasional ajuda econômica, fazer algo com as mãos abre espaço à expressão pessoal. “Nunca achei que seria capaz de fazer trabalhos manuais que exigem tanta paciência”, relata uma bordadeira. “Começar nesse mundo foi de grande valor para que eu me descobrisse, me conhecesse. ”

Sororidade

Essa forma de usar as mãos para criar, meditar, amar e curar está na essência do Clube do Bordado. Em momentos de crise existencial, olhar para dentro e ficar consigo mesma. Presentear com algo feito por você mesma como forma de gratidão. Criar algo para superar as próprias inseguranças, para agarrar o tempo, para testar paciência, para fazer mágica com as mãos.

pernocas

Coletor

g

*Texto originalmente publicado pela Revista TPM, e republicado por O Novelo com autorização da autora.

Saiba mais sobre o Clube do Bordado aqui

Imagem: Clube do Bordado

Acompanhe as publicações e curta a página d’O Novelo no Facebook aqui