04/dez/2017 por

“Caso todas as variáveis se comportem dentro do previsto, é certo que…”

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“…Ceteris paribus”– expressão favorita utilizada por muitos economistas que acreditam piamente na ideia que a Economia é uma ciência infalível, do tipo lógico/cartesiana — e não humana, empírica, incompleta e falha.

A esses ocorre frequentemente de divulgarem suas “previsões” por motivos escusos, tipo desonestidade intelectual e reprodução do adestramento coletivo; também por limitações que tenham a ver com falhas de caráter e/ou deficiência cognitiva. Ao mesmo tempo consideraram que segui-los é coisa certa augurada numa espécie de Oráculo de Delfos pós-moderno.

Seriam ‘revelações’ infalíveis e cercadas por mistérios alcançados apenas pelo seu acólito grêmio esotérico e incompreensível ao restante, o lúmpen social composto por supostos e espontâneos áulicos: nós, o seu rebanho.

Nada além de uma pretensão quase sempre corrigida pela experiência que cura muitos e muita coisa; mas nem todos e nem tudo, evidentemente.

Existe uma categoria impermeável à corrigenda do tempo, os que veem a si próprios como sábios incontestes. Esses creem que a invocação do seu credo teria o venerável poder de lhes cobrir as falhas.

Acima estou me referindo aos recalcitrantes que por terem suas ‘análises’ e previsões negadas pelos fatos, sempre terão como ‘recurso’ a seguinte ‘explicação científica’ a lhes socorrer como um mantra: — “ceteris paribus”.

No mundo real, entretanto, não existe a possibilidade de outros fatores econômicos ficarem inertes e bem comportadinhos só para confirmar as assertivas categóricas, e presumivelmente infalíveis, dessa magma ‘plêiade’ apenas porque foram oriundas das suas conclusões pseudo-magníficas.

Evidentemente é a Política que deve arrogar a si as decisões econômicas, o que significa que não se deve ficar a reboque das ‘leis’ da Economia.

Mas subsiste um lamentável equívoco diuturnamente divulgado e repetido, cuja única explicação reside no inconfessado objetivo de anulação da soberania em prol do deus ‘Mercado’, entidade máxima de muitos tentáculos espalhados e de muitos agentes servidores, sempre prontos a lhe prestar reverência e alimentar sua fome de corações propensos ao misticismo e de mentes dóceis aos desígnios sofismados.

As grandes lideranças políticas balanceiam tais pressões e mantêm os economistas na conta de auxiliares de valor; nunca como protagonistas a ser seguidos como ícones num altar de devoção mística.

Mais do que isso sobra somente ‘choro e ranger de dentes’; um discurso vazio “cheio de som e fúria” ensaiado por cândidos néscios desconsolados pelo papel de coadjuvantes que lhes sobra nesse palco. Ou ainda o murmurar da má fé dos ‘iniciados’ que tentam se fazer de imprescindíveis e que, ao seu entendimento, não deveriam ser ‘afrontados’ jamais.

Porém os/as economistas mais sérios sabem que suas análises são produto da visão retrospectiva dos fatos econômicos, e é isso que pode servir como uma espécie de bússola para então melhor aconselhar um planejamento político/econômico. Isso já é mais do que suficiente.

Imagem: Pedro Kirilos/Agência O Globo

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