Renata Schettino


    "ação de secretar saliva por meio das glândulas salivares" - ou a vida por meio de poesia.




    Postagens de Renata Schettino:



    • solidão em prelúdio



      tenho ficado acostumada a catar os ciscos de solidão que se espalham nos meus dias. quase poeira, mas vez em quando dá pra segurar na mão bem apertado, como se pertencesse. o papel em branco embrulha a falta da poesia, era pra ela ser bem vinda, mas não vem. não mais. são muitos os passos apressados nas ruas todas por onde ando, também apressada, dizem que ando dando uns pulinhos, vai saber se é verdade, eu só tenho medo de no emaranha [...]



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    • uma despedida (não censurada)



      faz tempo eu preciso escrever um texto, faz tempo eu tento. fazia tempo, também, que eu não sentia o ímpeto do texto-sentimento, que é meu cartão de visitas - das palavras que me cabem e das que não cabem. meu corpo vibra emoções espalhadas e de vez em quando eu não tenho outra forma de respirar que não seja te transformar em palavra escrita. acima dos cacos de vidro do chão do mundo e das andanças de marcha ré da humanidade, minh [...]



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    • antes que fique tarde



      antes que fique tarde-demais nessa manhã branco-escuro de um outono frio eu quero dizer aos mapas, às musas, aos céus azuis que podem vir não identificados daqui a três ou quatro dias que encostar o meu peito no teu depois de uma tempestade ou durante equivale a abraçar o mundo com os dois braços escancaradamente abertos eu não te alcanço em todas as virtudes muito menos em todos os defeitos ou humanidades não conheço todos os [...]



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    • Sombrinha



      E como se fosse ali inverno, ela pôs o café bem quente na caneca verde esmaltada e sacudiu os cabelos que estavam presos por um lápis. Sentou perto da janela parecendo esperar que a cortina invadisse a cena de seu corpo mudo, apreciando o entorno da rotina. Dali umas duas horas a vida se propunha a acontecer, à sorte do vento, da porta pra fora. Ainda segurando a caneca vazia, em que a borra do café não deixou um formato legível, levant [...]



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    • try a little tenderness



      I aquela moça não sabia sofrer, dizia a vizinhança. passava quieta em direção talvez desdirecionada pelo caminho, que era mais vivo que o destino. antigamente, o ritmo de uma folhagem na recepção da brisa na estrada valia mais que as histórias de estadia. era como se no silêncio dentro dela morasse uma coisa inteira por alguns segundos. II no café da esquina da rua por onde agora passa todos os dias, vendem um bolinho de banana qu [...]



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    • um café às quatro da tarde



      entre as coisas provavelmente não ditas, não há nenhuma que você não leia no vão que fica entre a presença da saudade e a sua ausência física. muito pode haver nesse vão, repare: as palavras estão todas postas de maneira a não voltarem para dentro da boca. conto uma história como quem conta a história do livro que aquele alguém já leu seis vezes em um ano. caneta bic, comentários de rodapé e uma breve leitura repetida da úl [...]



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    • doisdeoutubrodedoismilequatorze



      [caption id="attachment_2150" align="alignnone" width="447"] Imagem: Renata Schettino[/caption] quando acordei, nem vi se tinha sol lá fora. a cortina azul esconde o dia na caixinha que eu chamo de lar. vesti calça jeans e uma camisa larga, enfiei os óculos escuros e saí pra tentar dar uma respirada da noite que não tinha me aquietado. pro trabalho, lá eu tomo um meio de litro de café e termino os atrasados. aí, camarada, tinha muito so [...]



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    • uma declaração (não censurada)



      [caption id="attachment_2015" align="aligncenter" width="447"] Imagem: Renata Schettino[/caption] toda vez que me vem à lembrança aquela noite fria - você deitada na cama sem lençol forrando - o telefone tocando insistente e a promessa de felicidade se esvaindo pelo ralo da inconstância do meu mais repetido erro, toda vez eu quero que o tempo volte e me arranque do telefone vazio, da imprudência de te deixar ir embora sem dizer adeus. p [...]



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    • domingo-feira



      mais pra cheiro: o de pastel feito na hora na feira domingo que tem cara de frio, mas também tem sol. é maio, e ela não é a mesma, nem de maio, nem de agosto. brócolis frescos chamam atenção pela beleza. os tons de verde se misturam a pimentas dispostas em vasilhas, muitos formatos e variações de cor. vermelho, que é quente. já volta o sol, sossega a manga do agasalho. ainda é maio, começa. e ela não gosta muito da voltinha [...]



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    • Água morna



        Oi, tudo bem? Tudo bem. Tá com sede, com fome, com saudade? Tô com sede. Água na boca, eu, saudade também. Tudo bem? sim, você? Tudo. Responde mais, fala mais, quero saber. Ainda tô com sede. Mais água? (nos olhos). Bom te ver. Já vai? Já fui. [...]



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