Reginaldo Penezi Junior


    Advogado, gosta de escrever casos, causos, coisas, contos, crônicas. O resto é outra história.




    Postagens de Reginaldo Penezi Junior:



    • ATÉ TU, BOLSONARO?



      E o punhal continua a ser instrumento capaz de mudar os rumos da História. Mais célebre do que o assassinato de Pinheiro Machado é a lembrança da morte de Júlio César. Apunhalado em pleno Senado, o imperador teria dito a um dos seus algozes: “até tu, Brutos, meu filho?” A expressão tão conhecida, reflexo de uma traição, é homenageada no Direito Civil com a ideia do “tu quoque”, derivado da frase “Tu quoque, Brutus, f [...]



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    • Um serão de Dona Benta



      Há uns dois anos eu havia começado a fazer uma entrevista fictícia: eu era um repórter que entrevistava a personagem Dona Benta. Acabei fazendo só três perguntas pra ela... Hoje relembrei do meu exercício, reli e fiquei com vontade compartilhar. Lembrei-me da entrevista ao ver a postagem com o documentário do Eduardo Coutinho: as “Últimas Conversas” foram como que o “pirlimpimpim” que me fizeram viajar ao passado. [...]



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    • Oito microcontos de humor e tragédia



      PERSONALIDADES O pão duro comprou coxão mole. O coração mole não perdoou o dedo duro. A cabeça dura ouviu conversa mole. SOLUÇÃO Chorou pelo leite derramado e misturou nele as lágrimas. Depois engoliu seco. AMOR E CIÚME A menina dos seus olhos lhe colocou pulgas atrás das orelhas. VERÃO TRÁGICO Foi na onda de Maria vai com as outras. Morreu na praia. ORAÇÃO “Isso é suor e lágrima”, afirmou a criança ao ver [...]



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    • A ciência das omeletes



      Para preparar uma omelete é preciso estar preparado. Não me refiro às preliminares de trincar com certa leveza a casca dos ovos, derrubar claras e gemas sobre um recipiente, mexer a composição predominantemente amarela até ela adquirir uma coloração homogênea e em seguida misturá-la com os ingredientes e temperos que definirão o sabor do alimento. Não, não é isso. A dificuldade aparece depois da superação dessas fases tr [...]



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    • A crônica das costas



      A coluna travou depois do efeito chicote produzido por um espirro. Hiperbolicamente posso dizer que me senti como o Neymar ao sofrer a joelhada nas costas na Copa do Mundo dos 7 a 1 para a Alemanha. Eu saía do banheiro de uma lanchonete quando espirrei e de imediato senti uma dor terrível, quase imobilizante. Busquei logo uma cadeira. Parecia não haver jeito nem de sentar, mas enfim consegui me acomodar debruçado sobre a mesa e, depois de [...]



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    • Revolução dos bichos



      Batista chamava as cédulas de dinheiro que possuía pelo nome do animal desenhado nelas. Cem reais eram uma garoupa, cinquenta reais uma onça pintada, vinte reais um mico-leão-dourado, dez reais uma arara vermelha, cinco reais uma garça, e dois reais uma tartaruga marinha. O último zoológico de Batista foi extinto durante o carnaval. A debandada do dinheiro que ganhou na sexta-feira num jogo do bicho começou no sábado, moderadamente, a [...]



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    • O pacote de bolachas recheadas



      Difícil era me concentrar naquela árdua leitura sobre não lembro o quê. Minha atenção ficara ainda mais prejudicada em razão de gargalhadas ao meu lado, vindas de um sujeito bastante esquisito, com o semblante escondido por cabelos longos, oleosos e prenhes de caspas. Cada risada tem a sua particularidade; difícil qualificar uma a uma. Dentro do saco de risadas existem as francas, as irônicas, as forçadas, as espontâneas, as exp [...]



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    • Bastardos inglórios



      Certa feita pululava nas redes sociais uma manchete sobre Chico Buarque a comprar pão numa padaria. Não fosse a sequência cadenciada de comentários que surgiu por causa dela, formando uma paródia da música “Construção”, obviamente não teria perdido meu tempo para ler alguma nota da notícia. Mas o fato é que a paródia me divertiu. Isso não vem ao caso agora, é claro. Interessante, muito interessante, é a última provocaç [...]



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    • Conselho de ética



      No desfecho d’O Pagador de Promessas, o personagem Zé-do-Burro morre com um tiro em meio a uma onda humana. Morreu porque não quis conceder. Morreu porque não se prostituiu. Contra muitos, pelo burro curado, por Iansã ou Santa Bárbara, por si mesmo, Zé-do-Burro caminhou a pé por mais de trezentos quilômetros, da roça até a cidade, a carregar uma pesada cruz de madeira nas costas com o objetivo final de depositá-la no interior da I [...]



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    • Trilogia do deslumbramento



      O poeta-músico Paulo César Pinheiro chamou de Trilogia do Alumbramento um dos conjuntos de canções que fez em parceria com João Nogueira e que compõe, individualmente, três obras primas da música brasileira: Súplica, O Poder da Criação e Minha Missão. Sobre elas, o próprio compositor explicou respectivamente o seguinte: “Uma era um pedido, um rogo, uma prece aos deuses da Música suplicando que não me faltasse jamais a i [...]



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