José Roberto Rodrigues


    José Roberto Rodrigues
    Cientista social, filósofo, carioca, vascaíno, professor e pai da Clara.




    Postagens de José Roberto Rodrigues:



    • Uma canção de ninar para Manu



      Dorme, Manu. No sonho, você e todas as crianças do mundo podem brincar, sorrir, pular, comer as melhores guloseimas, sem culpa, é só felicidade e paz. Quando a gente dorme, acorda num lugar onde todo mundo é alegre, tem manga, goiaba e mamão nascendo nas árvores da pracinha e a gente pode pegar e se lambuzar no tempo que os deuses e a natureza permitem. Tem água boa e fresca, ninguém é pobre e nem rico, pode deixar a casa sem tranc [...]



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    • A Velha Política



      “Acontece com a velhice o mesmo que com a morte. Alguns enfrentam-nas com indiferença, não porque tenham mais coragem do que os outros, mas porque têm menos imaginação.” (Marcel Proust) A Velha Política já nasceu senil. Desde o berçário ela arreganha a boca banguela em troca de algo para mamar, sem esforço, sem glória, para poder sustentar o sugar sem méritos daqueles que só se aproveitam das tetas gordas do poder. A Velha Po [...]



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    • Nos chamam de vagabundos



      Eles nos chamam de vagabundos por acordarmos e pensarmos que a vida poderia ser mais do que gerar lucro para alguém, ficarmos velhos, doentes, morrer em um leito frio de hospital, virar uma notinha esquecida em um pé de página em algum jornal, o nosso nome embrulhando o peixe na feira de domingo. Querem que acreditemos que somos vagabundos por não nos sujeitarmos à alienação do nosso trabalho, por termos a noção do nosso valor enquant [...]



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    • O Rock n’ Roll envelheceu?



      O ritmo musical que mudou os padrões sociais, políticos, sexuais e comportamentais parece ter perdido sua potência revolucionária e transformadora, ter virado um clube para pessoas de meia idade e com certa arrogância em relação a outros tipos de gêneros musicais como funk e rap. Quando surgiu, no início da década de 1950, o Rock modificou a juventude nascida no “baby boom”, ocorrido depois da Segunda Guerra Mundial. Sua mensagem [...]



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    • Bocó, um brasileiro



      Maio de 2017, Bocó, trabalhador da fábrica, admirador do juiz Moro e anti comunista convicto, é avisado que deve comparecer ao RH da empresa. Bocó acredita na bondade do patrão e pensa que aquela tão sonhada promoção finalmente virá. O gerente, muito simpático e de dentes absolutamente brancos, pede para que Bocó se sente, oferece café, água, biscoitos. Bocó se sente importante. O gerente lhe pergunta se ele gosta de trabalhar lá [...]



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    • O carnaval cinza



      Desde o fim da Ditadura Civil-Militar, o Brasil vinha passando por um período de consolidação dos direitos e garantias e se preparava para ter um papel de protagonista no cenário político-econômico mundial. Sediamos grandes competições esportivas como Pan-Americano, Copa do Mundo, Jogos Mundiais Militares e Jogos Olímpicos; festivais musicais de magnitude como Rock in Rio, Hollywood Rock. Tomorowland e SWU; além de eventos políticos [...]



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    • Uma carta de ódio para Marisa



      Eu te odiava antes de você ousar ter nascido. Seus antepassados vieram com uma mão na frente e outra atrás lá da Itália, pois eu havia lhes prometido que teriam uma vida melhor, mas na verdade só queria “embranquecer”, pois não suportava ver aquela massa de gente marrom ou preta. Para mim essa era a maior razão do meu atraso. Releguei seus parentes ao descaso e à escravidão por dívidas, e mesmo assim eles resistiram. Depois de j [...]



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    • A Globeleza vestida e a cultura de punição do corpo



      Logo que os portugueses chegaram ao Brasil, eles se impressionaram com a nudez dos indígenas e como estes não se inibiam em “mostrar suas vergonhas”, pois os nativos não possuíam os mesmos pudores que os europeus, criados na cultura judaico-cristã, que os tinham como regras morais. Indo mais atrás na História, a tradição bíblica aponta que Adão e Eva, ao serem expulsos do Paraíso, tiveram que cobrir seus corpos. Nos campos de c [...]



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    • 2016: o ano das correntes arrastadas



      “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” (Oscar Wilde) Certamente o ano que se finda foi o pior da minha vida, tive uma tragédia inominável que ainda não consegui processar, talvez nunca o consiga: meu sobrinho, que criei como filho, morreu de H1N1 no mês de julho, no Rio de Janeiro, aos 18 anos de idade. Essa ferida, ainda profundamente aberta, me trouxe um grande ensinamento: não existe amanhã, é [...]



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    • A difícil escolha de conviver com as diferenças



      No dia 20 de dezembro desse ano fui com minha família assistir a uma partida pela Liga Nacional de Basquete entre o time do meu coração (Vasco da Gama) contra a Liga Sorocabana de Basquete, na cidade de Sorocaba. Durante a partida fui xingado, estenderam o dedo médio em minha direção, apenas por estar vestindo a camisa do meu clube e estar torcendo. Mesmo estando com uma criança de sete anos de idade, no caso minha filha, não fui poupa [...]



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